A gerência média do Banco do Brasil e a rã na chaleira
Wagner Nascimento*
Diretor do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região
Uma metáfora bem conhecida nos meios acadêmicos é a da rã na chaleira. Se tentarmos colocar uma rã numa chaleira de água fervente, esta certamente saltará ou tentará com todas as suas forças pular para sobreviver. Quando, porém, colocamos uma rã numa chaleira de água fria e levamos ao fogo, ela se acomodará com o aquecimento da água aos poucos e, quando se atentar, já estará quase cozida, comprometendo sua sobrevivência.
A gerência média do Banco do Brasil não pode ter um comportamento semelhante ao de uma rã na chaleira. A inércia quanto às metas abusivas, à pressão e ao assédio moral tem levado a gerência média do BB a uma percepção tardia de que o corpo já está cozido, debilitado e doente; e, mesmo assim, acham que as coisas são assim mesmo e não adianta fazer nada.
A Campanha Nacional dos Bancários é um momento importante para discutir temas como metas absurdas e assédio, além, é claro, de falar sobre aumento salarial. Agora também são estabelecidas mesas de negociação com intuito de discutir e encontrar as soluções para os problemas detectados durante o ano.
Vêm para a pauta de negociações diversas reivindicações de interesse da gerência média como a equiparação salarial com trabalhadores de outros bancos - que pagam melhor seus funcionários de mesmo cargo; a igualdade de salários entre os gerentes de atendimento, de serviço e de relacionamento nas Unidades de Negócio; igualdade entre os gerentes de grupo e de setor nas Unidades Estratégicas e Unidades de Apoio.
A gerência média quer uma PLR maior sem vinculação com metas individualizadas e um verdadeiro “acordo” de trabalho que tenha regras estabelecidas de forma clara.
Esses gerentes também não querem correr o risco ser descomissionados em apenas um semestre, como propõe a direção do banco.
Nenhum deles sabe como são criadas as metas, nem o porquê das constantes e“estimulantes” mudanças no Programa Sinergia - Sistema de Acompanhamento de Metas do Banco do Brasil, de forma que este não seja entendido nem pela gerência média, nem pelos gerentes gerais das agências.
Nem mesmo as Gerências Regionais não sabem de forma mínima explicar o porquê de uma carteira de clientes estar em 1º lugar em um dia e no dia seguinte ser a última colocada. Como explicar também uma carteira ter saldo positivo de 70 mil na segunda-feira à tarde e, na terça-feira pela manhã está devendo 1 milhão? É normal uma meta de um semestre para determinado produto ser estabelecida em 300 mil e no meio do período se transformar em 1,5 milhão?
Estas são algumas das reclamações colhidas nas conversas, reuniões, cafezinhos e bate-papos, desabafos diários de colegas angustiados. Mas como fazer da reclamação uma indignação?
A greve, frustradas as negociações, é o melhor momento para mostrar a sua importância para a empresa e expor toda essa indignação e, ainda, junto com os outros colegas, lutar por salários melhores e condições de trabalho mais favoráveis. Contudo, a síndrome da rã na chaleira levou muitos profissionais da gerência média do BB a se transformarem rapidamente de indignados em resignados.
Na busca da motivação pela qual uma rã na chaleira não faz greve, ouve-se dizer que é porque:
Não se pode ter o comportamento de rã na chaleira e se esconder da luta, usando o período de greve para fazer seu telemarketing e cumprir suas metas "sossegadamente" sem a "chatice do atendimento" ao cliente na agência, exatamente como o banco gosta e prega nas reuniões. Já que a ética é coisa dos livros, vamos então "fraudar a greve", onde nós fingimos que fazemos greve e o banco finge que nos valoriza.
Mas o sentimento de rã na chaleira não é de toda a gerência média. Decerto há muitos que, ao invés de resignação, têm demonstrado profunda indignação com as condições de trabalho e adoecimento precoce e com a forma como a empresa tem conduzido seus negócios. Estes estão de parabéns pela postura firme, serena e corajosa. Postura essa que ganhou as ruas e dá seu recado claro.
Este texto é um convite à reflexão sobre a nossa responsabilidade como trabalhadores e como pessoas. Dá tempo de pular da chaleira e saltar para as ruas enquanto a água não ferve e nos mata! Então, você vai ficar aí parado?
Saia do inverno da resignação! Salte, que a primavera chegou!
*Wagner Nascimento é funcionário do Banco do Brasil e já presenciou colegas tomando remédio tarja-preta e viu amigos adoecendo de depressão dentro do banco
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segunda-feira, 24 de setembro de 2012
A GERÊNCIA MÉDIA DO BB
IGNORÂNCIA CÍVICA
Tudo na vida gira em torno da política. É o valor do seu salário, da prestação da casa própria, da mensalidade escolar, o preço do arroz, da carne, da luz, do telefone, etc.
Enfim, toda a nossa vida está relacionada com as decisões político/administrativas dos nossos governantes.
Assim podemos afirmar que o eleitor é o responsável pela precária situação por que atravessa o país, pois foi ele quem elegeu os políticos que nos dirigem.
A culpa, em si, não é da pessoa do eleitor, mas de sua ignorância política e educacional.
O eleitor esclarecido e participativo sabe que os tubarões do dinheiro gastam milhões de reais para elegerem seus representantes no Congresso e esses congressistas irão defender os interesses de quem os patrocinou (banqueiros, usineiros, industriais, exportadores, multinacionais, latifundiários, empreiteiras, agências de propagandas) e nunca os interesses do povo.
Outro erro crasso que grande parte do eleitorado faz é votar em branco ou nulo. É burrice da grande, pois isso só favorece os políticos demagogos, corruptos e ricos, pois estes pertencem a grandes grupos econômicos, que se elegerão da mesma forma, com ou sem o seu voto. Acho quase impossível o VOTO NULO ultrapassar os 51% numa eleição, para que se pudesse fazer outra eleição sem os participantes anteriores.
Escolha o menos ruim.
Omitir-se é falta de personalidade, de firmeza de caráter, de vontade de mudar as coisas.
Se você não participa, não tem o direito de reclamar nada e fica sendo culpado pela má escolha desses políticos corruptos e ladrões.
O candidato tem que ter no mínimo estas três qualidades (juntas): patriotismo, honestidade, capacidade, aliadas à ética política.
BERTOLD BRECHT já dizia há muitos anos:
“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que estufa o peito dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil que de sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado , o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.
ANTÔNIO H. COSTA.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
PLANO DE SAÚDE TERÁ QUE JUSTIFICAR NEGATIVA
Plano de saúde terá de justificar negativa
São Paulo - Nova norma da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) propõe que, quando uma operadora de saúde se negar a autorizar um procedimento médico, ela terá prazo de até 48 horas para justificar a decisão detalhadamente, apontando a cláusula contratual em que se baseia a negativa. Se o cliente pedir, a justificativa deve vir também por escrito, via e-mail ou correio. O descumprimento da regra pode custar uma multa de R$ 30 mil para a operadora.
Essa proposta entra em consulta pública na próxima quinta-feira (27): durante 30 dias, qualquer pessoa poderá acessar o site da ANS e apresentar críticas ou sugestões de mudança relativas ao tema. Ao final do prazo, a equipe técnica avaliará os comentários e redigirá o texto final da resolução.
Atualmente, quando um procedimento é negado, essa justificativa vem geralmente por telefone, quando o paciente liga para o call center do plano para saber se o pedido foi acatado ou não. Para o advogado Julius Conforti, especializado em saúde, a obrigatoriedade da resposta por escrito deve facilitar para o paciente contestar a decisão. O consumidor é leigo, não tem a obrigação de ter conhecimento técnico. Quando precisa retratar o porquê da negativa para o advogado, para o Procon ou até para a ANS, ele tem dificuldade de explicar, diz Conforti.
Fiscalização
Para a diretora adjunta de produtos da ANS, Carla Soares, a novidade facilitará a fiscalização das operadoras por parte do órgão regulador. Essa resolução é muito importante, porque amplia o acesso à informação para os beneficiários do plano. Isso traz uma segurança maior para o setor, para os prestadores e para as operadoras.
Cientes do motivo da negação de seu procedimento, os beneficiários podem então tomar as providências: questionar ou acatar. Em algumas situações, é legítimo que se negue o procedimento, completa a diretora.
Conforti acrescenta que a resolução inova também por pedir que a justificativa seja dada detalhadamente, em linguagem clara e adequada. Para o advogado, porém, será difícil fiscalizar se esse quesito é cumprido, no caso das justificativas verbais. O conceito de linguagem clara é bastante subjetivo. O advogado observa que, na versão atual do texto, pode-se inferir que o prazo de 48 horas só se aplica à justificativa verbal e não à escrita. É importante que as coisas estejam bem claras. Se deixar em aberto, a operadora vai interpretar da forma mais conveniente para ela, alerta.
A resolução também define que, em casos de urgência ou de emergência, a justificativa deverá ser fornecida imediatamente. Quem pode declarar se determinado caso se enquadra nessa situação é o médico conveniado do plano de saúde.
A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que reúne as empresas do setor, afirmou, em nota, que vai colher sugestões e críticas das operadoras de saúde associadas para contribuir com a consulta pública da ANS. Somente depois de divulgada a Resolução Normativa com as várias propostas da sociedade é que a Abramge terá um posicionamento. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
FUNDO DE PENSÃO PODE "ENRIQUECER" PATROCINADOR
Agência Senado
O representante da Federação das Associações dos Aposentados e Pensionistas do Banco do Brasil, Ruy Brito, disse nesta quinta-feira (30) no Senado que a legislação previdenciária dá o direito ao patrocinador de participar das reservas apuradas pelos fundos de pensão, na proporção de suas arrecadações. Em sua opinião, a medida promove o “enriquecimento ilícito do patrocinador”.
Os fundos são opções de investimento para proporcionar uma aposentadoria complementar, como forma de aumentar os recursos recebidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Atualmente há cerca de 256 entidades fechadas com a opção de 1.030 planos, a maioria patrocinados por empresas privadas.
Brito participou de audiência sobre entidades de previdência privada na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS). De acordo com o dirigente, há lacunas na resolução do Conselho de Gestão de Previdência Complementar que dispõe sobre as condições e procedimentos das entidades fechadas de previdência complementar (CGPC nº 26).
Por outro lado, a legislação da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar) não oferece segurança jurídica aos pensionistas.
De acordo com a presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundo de Pensão, Claudia Ricaldoni, a previdência complementar surgiu para fomentar a poupança previdenciária. O conceito, no entanto, observou, deturpou-se e transformou-se um “ataque ao conceito previdenciário”. Conforme informou, o sistema padece de instabilidade institucional, perdeu o seu objetivo inicial de assegurar a vida do pensionista e passou a ter uma visão unicamente financeira.
- Não tem um fundo que não tenha sido mexido em seu contrato original. Eu compro um plano hoje e não sei o que vou receber no futuro – afirmou Claudia Ricaldoni.
Ela criticou as Leis Complementares nº 108 e 109 de 2001, e também a Resolução CGVC 26. Conforme disse, a legislação possibilita que o patrocinador faça mudanças nos contratos vigentes, dando, segundo ela, insegurança jurídica ao pensionista.
Disse ainda que a lei dá o direito à retirada de patrocínio, concedendo ao contribuinte a opção de receber sua reserva, ou aderir aos planos abertos, adesão que tem valor mais elevado do que a destinada a um fundo de pensão, pois é paga somente pelo participante.
Sugestões
Ruy Brito defendeu a apresentação de um projeto de lei que mude a legislação atual, alterando o modelo de gestão utilizada nos planos e adotando um sistema de gestão participativa com segregação de funções, em que uma parte administre e outra fiscalize.
Claudia Ricaldoni defendeu a mudança no modelo adotado pelas instituições financeiras, para que não vise só o lucro e volte a ser “previdenciário”, tendo por objetivo a seguridade social do pensionista.
- Estamos tentando aprovar uma resolução que proteja o participante. Os representantes da fazenda e patrocinadores devem respeitar o cliente. Estamos trabalhando com a vida, saúde e segurança das pessoas. O dinheiro é o meio, não o fim – afirmou a dirigente.
O desembargador aposentado Sérgio D’andréa sugeriu a criação de uma justiça previdenciária, semelhante à justiça eleitoral, militar e do trabalho. Para ele, o Congresso precisa impor mais rigidez às instituições de previdência complementar.
Previdência virou instrumento de manipulação financeira, afirma representante de associação
O sistema de previdência fechada vive instabilidade institucional e perdeu seu objetivo inicial, que era garantir uma aposentadoria complementar ao pensionista e passou a ter visão financeira. A afirmação foi feita pela presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundo de Pensão, Claudia Ricaldoni, nesta quinta-feira (30), durante a audiência pública que visa debater os Fundos de Pensão na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).
- Vivemos um ataque ao conceito previdenciário. Não tem um fundo que não tenha sido mexido em seu contrato original. Eu compro um plano hoje e não sei o que vou receber no futuro – afirmou Claudia Ricaldoni.
Conforme disse, as instituições que oferecem os fundos entendem a previdência como um produto financeiro, ela considera a visão equivocada. Segundo ela, é preciso que o modelo volte a ser previdenciário, pois “estamos trabalhando com a vida, saúde e segurança das pessoas”.
A audiência é presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS).
Da Redação
O Congresso Nacional precisa assumir seu papel de legislador e imprimir maior rigor às instituições de fundos de pensão. A opinião é do desembargador aposentado Sérgio D’andréa, que falou nesta quinta-feira (30) em audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) para debater a previdência complementar fechada.
- Há lacunas na legislação. Precisamos criar uma justiça previdenciária semelhante à justiça eleitoral, militar e do trabalho, a fim de fortalecer e garantir o direito previdenciário – afirmou o desembargador.
Para ele, o pensionista não pode ficar a mercê das modificações feitas pelos institutos previdenciários, segundo informou, a legislação atual permite que as empresas mudem os planos existentes, desrespeitando o direito adquirido, no momento da adesão do plano.
Em sua opinião, é preciso criar leis que impossibilitem os administradores de mudar contratos de forma unilateral. Assim seria garantido o direito do contratante.
Propostas apresentadas por entidades serão analisadas pelo senador Paulo Paim.
Agência Senado
terça-feira, 28 de agosto de 2012
RESPOSTA Á REVISTA EXAME
| CARTA RESPONDE À REVISTA EXAME | |
| 17/08/2012 | |
Reproduzimos abaixo carta enviada hoje pelo Presidente da ABRAPP, José de Souza Mendonça, ao Diretor de Redação da EXAME, a propósito de matéria publicada pela revista na edição que começou a circular ontem: "Foi com um travo de surpresa e uma enorme decepção, pela admiração que a revista EXAME sempre nos inspirou, que nos deparamos com matéria publicada sob o título “Pensão sem fundos”. Muito longe da verdade, o texto traz afirmações que não se sustentam e prestam um grave desserviço aos leitores. Se quem está lendo é empresário, o risco é que, por força de informações absolutamente equivocadas, adie por muito tempo e talvez indefinidamente a decisão de um dia patrocinar um plano de previdência complementar para os seus empregados. Se trabalhador ou profissional liberal, arrisca-se a não querer deles participar. Em resumo, o prejuízo é enorme para uns e outros e mesmo para a economia brasileira, que diante de um histórico de tão baixa capacidade de poupar precisa mais e mais da ampliação da poupança previdenciária.
Diferentemente do “rombo bilionário” que a revista afirma existir, os fundos de pensão brasileiros registram atualmente um superávit global de R$ 47,2 bilhões. Dos 15 maiores fundos, apenas dois se encontram em déficit em vias de solução. Uma situação de estabilidade e segurança que permite ao regime fechado de previdência complementar pagar todos os meses regularmente mais de R$ 2 bilhões em benefícios variados aos seus quase 700 mil assistidos. A revista erra nos números e num conceito básico. Conceitualmente, fundos de pensão, por força do distante horizonte de tempo entre o momento do ingresso do trabalhador no plano até a sua aposentadoria, atuam com os olhos postos no longo prazo. É essa característica particular responsável inclusive por uma postura de investidor estável capaz de fornecer recursos de forma constante a empresas e projetos, algo que traz enormes benefícios à economia brasileira. É o contrário do que faz o especulador. Mas a matéria ignora isso e cobra os gestores dos fundos por uma suposta inadaptação à conjuntura de curto prazo. Não condizem com a verdade nem fazem sentido às afirmações da jornalista. Claro, a visão de longo prazo não torna os fundos de pensão cegos às mudanças que ocorrem no mundo e na economia brasileira. E tanto são sensíveis às novas realidades que vêm se adaptando a elas, mas na velocidade adequada e não aquela pautada pelo açodamento e que só viria potencializar os riscos. Prova desse ajustamento aos novos cenários é o fato de que em 2008 nada menos de 73,4% das Entidades Fechadas de Previdência Complementar tinham como meta atuarial 6% mais INPC. Passados apenas três anos, esse percentual caiu para 43%, sendo que 35% dos fundos já trabalham com um parâmetro atuarial igual ou inferior a 5%. Isso mostra muito claramente a maturidade de um regime de previdência complementar capaz de adequar o seu passivo a uma nova realidade brasileira de juros declinantes. Em certo momento a revista diz que “o problema é que muitos desses fundos têm, por contrato, a obrigação de render mais do que os juros de mercado, hoje em 8%”. Tal afirmação revela a confusão que o texto parece fazer entre meta atuarial e taxas de juros praticadas no mercado. Já quando a matéria se refere a uma correção anual de 12,4% (“Em média, os valores das aposentadorias têm de ser corrigidos em 12,4% ano a ano”) no valor das aposentadorias, é difícil mesmo dizer de onde a jornalista retirou esse percentual. Como é igualmente impossível descobrir em que se baseiam os 14% que os fundos segundo a revista teriam que render este ano para escapar de problemas futuros. A verdade é uma só: o regime mostra-se estável e de 1995 para cá apresenta um retorno que é o dobro da meta atuarial do período. Traduzindo em números: nesses 17 anos a rentabilidade alcançada foi de 1,692,2%, enquanto o exigido atuarialmente era de 815,14% (INPC + 6%). Os poucos casos de intervenção do governo apontados pela revista deveram-se todos a inadimplência dos patrocinadores. Em nenhuma das situações os gestores tiveram a qualidade ou a honradez de suas gestões posta em dúvida. O problema foi um só: as empresas deixaram de contribuir ou passaram a fazê-lo de modo insuficiente. Onde a matéria diz que fundos de estatais receberam aportes de recursos, faltou dizer que isso obedeceu ao fiel cumprimento do que estava determinado nos contratos previdenciários assinados pelas empresas e seus trabalhadores. As patrocinadoras apenas saldaram débitos que tinham com os seus planos e nada além disso. A informação de que 31% dos planos são do tipo Benefício Definido não compreende toda a verdade. Textualmente é afirmado que “ 31% dos planos do mercado brasileiro ainda têm rentabilidade definida e o Ministério da Previdência não sabe o que fazer com eles, dados os riscos que correm no cenário de queda dos juros”. Nesse caso faltou informar ao leitor que esses planos são predominantemente saldados e estão fechados a novas adesões e que tal percentual, por ser bastante menor do que no passado (76% em 1990), revela um prudente esforço de adaptação às novas realidades. Planos com esse perfil em sua maioria estão ancorados em aplicações de longo prazo, notadamente títulos públicos, com rendimentos prefixados que cobrem as necessidades atuariais. É da mesma forma inverídico que os fundos dependam da ajuda do governo: todos são entidades de direito privado, guiados por regulamentos aprovados e contratos assinados há longa data e que investem na qualidade da gestão, na governança, na transparência e no uso de controles e de sistemas de minimização dos riscos. A gestão dos ativos adapta-se às novas situações, mas sem perder de vista o ritmo dessas mudanças, o que significa dizer sem ignorar ou reforçar as tendências observadas. Até porque há uma distorção bem conhecida dos brasileiros: os juros no Brasil estão de fato em queda, mas ainda não são baixos como no resto do mundo. Além disso, as carteiras estão compostas de títulos públicos com retornos que superam as metas atuariais e têm vencimentos no longo prazo (74% dos papéis vencerão em mais de três anos e 46% acima de 10). A verdade é que a grande maioria dos fundos está ancorada em papéis que ainda pagam boas remunerações. Na medida em que vencem e são renovados, cada Entidade Fechada de Previdência Complementar terá tempo para escolher com critérios técnicos e profissionais a política mais alinhada às suas estratégias. Os fundos de pensão brasileiros não se encontram de forma alguma retratados na matéria trazida por EXAME e, se nos apressamos a corrigir os muitos equívocos ali cometidos, é por respeito a uma revista que sempre praticou o melhor jornalismo e que só por acidente pode ter publicado um texto com tantos erros. Esperamos que a revista EXAME, com a responsabilidade que tem perante a opinião pública, divulgue com o mesmo destaque esta correção que estamos fazendo dos lamentáveis equívocos cometidos”. (Abrapp)
Fonte: Diário dos Fundos de Pensão - SINDAPP
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