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ESPAÇO DEMOCRÁTICO, TERRITÓRIO LIVRE ONDE TODOS OS ASSUNTOS SÃO TRATADOS E REPERCUTIDOS.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

AO ESPELHO (José Milton Bertoco)


Nós somos, pois temos
Nós somos ianques
Nós somos a veja
Nós somos!
Somos
Os bons do deserto
O  olho por olho
E o dente por dente

Nós somos espertos
E bons internautas
Julgamos o mundo
Pois só nós conhecemos
o bem e o mal
Longe desse metrô
De diferenciados

Nós somos a igreja
Adaptamos a Bíblia
Pra poder consumir
Sonhamos com carro
Blindado
Pois é perigoso
Aqui
Precisamos mais penas
(de morte?) pra PPP

Queremos salvar
A professorinha
Da escola,
que é pública
(não viu no youtube?)
Lá estudam crianças
(mas nunca as nossas)

Nós somos o papa
Nós somos a folha
Beatificamos a Irmã
Pra nos redimir
Mas e o fome zero?
Só faz vagabundos!
Que ainda lotam as praias
No fim de semana

Nós somos
Inimigos do aborto
Perto dos olhos
Não vemos pecado
No que o olho não vê
- Desligue a TV
Ou mude
Pro BBB

Inventamos um dízimo
de meio por cento
(ou menos)
Não mandem dinheiro
Deixamos bem claro
O pobre Haiti
(erraram, baianos)
Não é por aqui

Nós somos a globo
"Pega ele", grita
o galvão. Bueno,
se a reta é curva
Tá certo o gavião
Mas, criança carente
Que horror! Elas dizem:
"Os peixe é meu". 
Como é que meu filho
vai poder entender?
Essa língua...

Somos a própria Paulista
Amamos o irmão
(Não pode ser viado)
Credo, somos todos
Eternos héteros
Não somos drogados
Não usamos maconha
Tiramos a insônia
Só com rivotril

Somos a maioria
E somos tão brancos
Estamos sentados
bem à direita
da KKK
Jamais perdoamos
Os tais devedores
Caçamos corruptos
Nunca
Os corruptores

Nós somos
Poli-corretos
Chamamos de afros
E não de sem dentes
Odiamos
E anistiamos
Os desmatadores

Estamos cansados
Do trânsito louco
Mas o combustível
Que preço absurdo
Então, não daria
pra baixar mais um pouco?
(o meu é a alcool)
Vocês sabem, amamos
A Mãe Natureza

Nós temos saudades
Dos anos setenta
Quem não gosta
Que se mude
O país vai pra frente
Usamos, é chique
Camiseta
Che Guevara

Democratas, nós somos
Mas
Um voto por cabeça
Ofende a nossa
Capita?
Meu curso
É bem superior
Feito sem cotas
Que eu posso pagar

Nos anos 2000
Entramos
Na rede mundial
E dai descobrimos
A corrupção
Há corrupção, nossa
Aumentou esse mal
Nunca vimos isso antes
Na revista semanal
Meu Deus, que surpresa
Nos roubam bilhões

Nós somos ou fomos?
Elite? Seremos povão?
Adoramos estatística
Se nos der razão
Somos tão solidários
Somos todos por um
Pois nos apavora
A perspectiva
Da fila do SUS

E lá vamos nós
Reformando a Carta
Defendendo o nosso
Nós não temos terra
Mas não somos sem terras
Nós até desfilamos
Pela paz, contra o mal
Em Copacabana
Sepulcro, mais cal!

Nós somos otimistas
Amamos a pátria
E nos manifestamos
Tudo está bom
Se está bom para nós
Se está tudo errado
A culpa é dos outros

Seguimos unidos
A causa é justa
Os princípios são fortes
Os motivos são válidos
Nós temos razão
Queremos o nosso
(Sempre o primeiro)

Se
Estamos aqui
É só por dinheiro.


-o-o-o-o-o-o-o-
 
 
Se desejar apreciar o poema declamado acesse o link:
 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A FRAUDE NO DECRETO 81.240/78

Transcorridos mais de 10 anos das demissões e acumulando derrotas no poder judiciário, os demitidos do BB, esquecidos pela opinião pública, a maior parte desempregados e desesperados, porque tão logo se efetivaram as demissões o Banco do Brasil suspendeu o programa de apoio aos demitidos, contrariando compromisso assumido na apresentação do PDV ao corpo funcional, aprofundavam suas pesquisas na legislação e ao mesmo tempo acumulavam conhecimentos sobre o sistema de previdência privada no Brasil. 

Em 2005 o funcionário demitido Leandro Schmaedek, pesquisando toda a legislação que regia os fundos de pensão das estatais, desde a Lei 6435/77, deparou-se com uma incongruência no texto do decreto 81 .240/78,imposta pela publicação da já referida retificação de 16.06.78 no Diário Oficial da União. 

Prosseguindo a pesquisa descobriu que o artigo 31, incisos VII e VIII, completados pelo parágrafo SEGUNDO, havia sido alterado em seu texto original, retirando substanciais direitos dos demitidos e que a publicação da retificação apresentava indícios de irregularidade. 

A partir daí iniciou uma busca incessante por documentos originais, que comprovariam suas suspeitas, tendo inclusive se deslocado até os arquivos oficiais em Brasília acompanhado de seu colega demitido Marcelo Dantas, mas a busca teve sucesso parcial, pois se confirmava a fraude, mas a comprovação carecia do original do Decreto 81.240/78, documento esse assinado pelo Presidente Ernesto Geisel. 

Sucedeu-se uma série de ações na busca do documento, correspondências diversas, e-mails, requerimentos, mas diante do insucesso e as informações do próprio pode r público de que o documento  original não mais existia, esvaiu-se a esperança dos demitidos e o assunto foi deixado de lado. 

Em meados de 2008 os demitidos do BB formaram um grupo de discussões através da internet, com mais de 500 inscritos de todas as regiões do País e prosseguiram buscando alternativas viáveis para resgatar seus direitos e um desses componentes, Ary Taunay Filho, seguiu por conta própria na pesquisa da fraude. 

Na noite de 03.11.2008, chegando à mesma conclusão de que sem o documento original nada poderia ser feito, fez contato com o descobridor da fraude, Leandro Schmaedek, pedindo para que fizessem uma nova busca nos arquivos oficiais. 

Assim foi feito e, para surpresa e espanto dos dois pesquisadores, o documento original foi finalmente encontrado nos arquivos da Câmara dos Deputados, onde nunca estivera por conta das inúmeras pesquisas anteriores. 

A fraude já confirmada agora estava comprova da por um documento oficial e original, que logo foi submetido à perícia, indicando como fora efetuada. 

Diante de tais fatos tão comprometedores, realizou-se uma audiência pública na Câmara dos Deputados, onde todos os fatos e provas foram apresentados aos Congressistas presentes, mas mesmo assim o caso não teve a repercussão esperada, suspeitando-se da pressão do poder econômico da Previ e também do Governo Federal, acionista majoritário do Banco do Brasil, portanto principal interessado no assunto. O momento atual é de expectativa. 

Os demitidos, agora organizados em associação, buscarão seus direitos responsabilizando não só o Banco do Brasil e a Previ, como também o Governo Federal pelos prejuízos, que certamente seriam evitados, tivesse o Governo do Dr. Fernando Henrique Cardoso cumprido o compromisso assumido em 1967, repassando ao BB os valores gastos com as
aposentadorias do Grupo Pré/67, ao invés de lançar mão do expediente espúrio de jogar ao desemprego milhares de trabalhadores, com o único e  vil intuito de confiscar seu fundo de pensão para cumprir uma obrigação do Tesouro Nacional.

Ary Taunay Filho

INTERNACIONAL - Crise pode cortar avanço chinês pela metade

Principal motor da economia global, o crescimento da China pode ser reduzido à metade neste ano caso a crise europeia se agrave, segundo previsão do FMI.

O Fundo prevê atualmente que o PIB chinês vai se expandir em 8,2%, mas avisou que esse resultado pode ser quatro pontos percentuais menor se os problemas da Europa ficarem ainda piores.

"Os riscos da Europa para a China são ao mesmo tempo grandes e palpáveis", diz relatório da entidade. Para ela, o principal risco para o crescimento chinês será via comércio exterior, já que a Europa é o principal destino das suas exportações.

Para evitar essa forte desaceleração, o FMI recomenda que as autoridades chinesas adotem um pacote fiscal de cerca de 3% do PIB (com redução de impostos e subsídios para a compra de bens duráveis pelos consumidores, por exemplo).

Essas medidas, que durariam até o ano que vem, levariam a uma desaceleração menor do PIB chinês: de um ponto percentual, e não mais de quatro pontos percentuais, de acordo com o FMI.

Logo após a crise se tornar global, em setembro de 2008, o governo chinês introduziu um bem-sucedido pacote de estímulo de US$ 586 bilhões para impedir uma desaceleração mais forte da segunda economia global.



Fonte: Folha de S. Paulo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012


Eleições PREVI 2012
Clique na foto para ampliarNo período de 18 a 29/5 será realizado processo de consulta aos participantes e assistidos dos Planos de Benefícios administrados pela PREVI, para a escolha dos representantes dos participantes e assistidos nos cargos de Administração e Fiscalização da PREVI e nos Conselhos Consultivos dos Planos de Benefícios 1 e PREVI Futuro, na forma do Estatuto e do Regulamento de Consultas aos Participantes e Assistidos em vigor. Podem votar participantes e assistidos maiores de 18 anos, inscritos nos Planos de Benefícios da PREVI até o dia 31 de janeiro.

Para mandatos de quatro anos, que vigorarão de 1/6/2012 a 31/5/2016, serão eleitos:
Conselho Deliberativo: 2 titulares e 2 suplentes
Conselho Fiscal: 1 titular e 1 suplente
Diretoria Executiva: Diretor de Seguridade
Conselho Consultivo do Plano de Benefícios 1: 1 titular e 1 suplente
Conselho Consultivo do Plano de Benefícios PREVI Futuro: 1 titular e 1 suplentes

Inscrições das chapasAs inscrições serão realizadas no período de 8/2 a 29/2, até às 18h (horário de Brasília).  Para se inscreverem, as chapas devem apresentar candidatos para todos os cargos, inclusive suplentes.  Os candidatos devem possuir pré-requisitos específicos para o cargo concorrido. Veja abaixo o Regulamento, o Edital de Convocação, o Requerimento de Inscrição e o Cronograma das Eleições PREVI 2012.

A votação tem novidadeA novidade desse ano é que, além da votação pelo telefone 0800-729-0808, assistidos e demais participantes (exceto funcionários da ativa) poderão votar também aqui pelo site PREVI. A inclusão desse canal de votação visa a facilitar o acesso remoto dos assistidos e demais participantes para o exercício democrático do voto.

Em qualquer um dos dois canais, 0800 e Internet, será necessário utilizar a senha cadastrada na PREVI, a mesma senha de seis dígitos utilizada para acessar o Autoatendimento do site.

Participantes, funcionários do Banco do Brasil S.A., em atividade no Banco, na PREVI, CASSI e FBB ou em afastamentos regulamentares, votam pelos terminais SISBB disponibilizados pelo Banco do Brasil. Participantes, funcionários do BB, em quadro suplementar (Q.S), votam pelos terminais SISBB, nas agências de relacionamento.

A votação será realizada em maio, no período de 18 a 29/5.

Comissão eleitoralPara coordenar e executar a realização das eleições foi instituída a Comissão Eleitoral,  composta por cinco membros e respectivos suplentes, indicada pela Diretoria Executiva e homologada pelo Conselho Deliberativo. 

Composição da Comissão Eleitoral
Efetivo
Suplente
José Ronaldo Guimarães Chicarino
Sílvio Moura de Oliveira
Carlos Alberto Galante
Alexander Ferreira Pires
Luiz Guilherme Batista de Matos
Gabriela Porto Barbosa
Átila Cruz de Souza Belém
Antonina Pompeu Campos
Carlos Augusto Ferraz Rodrigues
Márcia Nunes de Souza

sábado, 28 de janeiro de 2012


TRISTE JUDICIÁRIO

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) é formado por 33 ministros. Foi criado pela Constituição de 1988. Poucos conhecem ou acompanham sua atuação, pois as atenções nacionais estão concentradas no Supremo Tribunal Federal. No site oficial está escrito que é o tribunal da cidadania. Será?

Um simples passeio pelo site permite obter algumas informações preocupantes.

O tribunal tem 160 veículos, dos quais 112 são automóveis e os restantes 48 são vans, furgões e ônibus. É difícil entender as razões de tantos veículos para um simples tribunal. Mais estranho é o número de funcionários. São 2.741 efetivos.

Muitos, é inegável. Mas o número total é maior ainda. Os terceirizados representam 1.018. Desta forma, um simples tribunal tem 3.759 funcionários, com a média aproximada de mais de uma centena de trabalhadores por ministro!! Mesmo assim, em um só contrato, sem licitação, foram destinados quase R$2 milhões para serviço de secretariado.

Não é por falta de recursos que os processos demoram tantos anos para serem julgados. Dinheiro sobra. Em 2010, a dotação orçamentária foi de R$940 milhões. O dinheiro foi mal gasto. Só para comunicação e divulgação institucional foram reservados R$11 milhões, para assistência médica a dotação foi de R$47 milhões e mais 45 milhões de auxílio-alimentação. Os funcionários devem viver com muita sede, pois foram destinados para compra de água mineral R$170 mil. E para reformar uma cozinha foram gastos R$114 mil. Em um acesso digno de Oswaldo Cruz, o STJ consumiu R$225 mil em vacinas. À conservação dos jardins ? que, presumo, devem estar muito bem conservados ? o tribunal reservou para um simples sistema de irrigação a módica quantia de R$286 mil.

Se o passeio pelos gastos do tribunal é aterrador, muito pior é o cenário quando analisamos a folha de pagamento. O STJ fala em transparência, porém não discrimina o nome dos ministros e funcionários e seus salários. Só é possível saber que um ministro ou um funcionário (sem o respectivo nome) recebeu em certo mês um determinado salário bruto. E só. Mesmo assim, vale muito a pena pesquisar as folhas de pagamento, mesmo que nem todas, deste ano, estejam disponibilizadas. A média salarial é muito alta. Entre centenas de funcionários efetivos é muito difícil encontrar algum que ganhe menos de 5 mil reais.

Mas o que chama principalmente a atenção, além dos salários, são os ganhos eventuais, denominação que o tribunal dá para o abono, indenização e antecipação das férias, a antecipação e a gratificação natalinas, pagamentos retroativos e serviço extraordinário e substituição. Ganhos rendosos. Em março deste ano um ministro recebeu, neste item, 169 mil reais. Infelizmente há outros dois que receberam quase que o triplo: um, R$404 mil; e outro, R$435 mil. Este último, somando o salário e as vantagens pessoais, auferiu quase meio milhão de reais em apenas um mês! Os outros dois foram ?menos aquinhoados?, um ficou com R$197 mil e o segundo, com 432 mil. A situação foi muito mais grave em setembro. Neste mês, seis ministros receberam salários astronômicos: variando de R$190 mil a R$228 mil.

Os funcionários (assim como os ministros) acrescem ao salário (designado, estranhamente, como ?remuneração paradigma?) também as ?vantagens eventuais?, além das vantagens pessoais e outros auxílios (sem esquecer as diárias). Assim, não é incomum um funcionário receber R$21 mil, como foi o caso do assessor-chefe CJ-3, do ministro 19, os R$25,8 mil do assessor-chefe CJ-3 do ministro 22, ou, ainda, em setembro, o assessor chefe CJ-3 do do desembargador 1 recebeu R$39 mil (seria cômico se não fosse trágico: até parece identificação do seriado ?Agente 86?).


Em meio a estes privilégios, o STJ deu outros péssimos exemplos. Em 2010, um ministro, Paulo Medina, foi acusado de vender sentenças judiciais. Foi condenado pelo CNJ. Imaginou-se que seria preso por ter violado a lei sob a proteção do Estado, o que é ignóbil. Não, nada disso. A pena foi a aposentadoria compulsória. Passou a receber R$25 mil. E que pode ser extensiva à viúva como pensão. Em outubro do mesmo ano, o presidente do STJ, Ari Pargendler, foi denunciado pelo estudante Marco Paulo dos Santos. O estudante, estagiário no STJ, estava numa fila de um caixa eletrônico da agência do Banco do Brasil existente naquele tribunal. Na frente dele estava o presidente do STJ. Pargendler, aos gritos, exigiu que o rapaz ficasse distante dele, quando já estava aguardando, como todos os outros clientes, na fila regulamentar. O presidente daquela Corte avançou em direção ao estudante, arrancou o seu crachá e gritou: ?Sou presidente do STJ e você está demitido. Isso aqui acabou para você.? E cumpriu a ameaça. O estudante, que dependia do estágio ? recebia R$750 ?, foi sumariamente demitido.

Certamente o STJ vai argumentar que todos os gastos e privilégios são legais. E devem ser. Mas são imorais, dignos de uma república bufa. Os ministros deveriam ter vergonha de receber 30, 50 ou até 480 mil reais por mês. Na verdade devem achar que é uma intromissão indevida examinar seus gastos. Muitos, inclusive, podem até usar o seu poder legal para coagir os críticos. Triste Judiciário. Depois de tanta luta para o estabelecimento do estado de direito, acabou confundindo independência com a gastança irresponsável de recursos públicos, e autonomia com prepotência. Deixou de lado a razão da sua existência: fazer justiça.

MARCO ANTONIO VILLA é historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos (SP).
 Fonte: O Globo - 13.12.2011